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Vacina aplicada após sessões de quimioterapia evita a volta da leucemia

POR EM Dr. Lair Huning em 22 de dezembro de 2016

Na primeira semana de dezembro foi divulgado na revista Science Translational Medicine a criação de uma vacina que pode ajudar na cura da leucemia aguda sem a necessidade do transplante de medula óssea. Pesquisadores estadunidenses desenvolveram uma fórmula composta por células humanas e que aplicada em pacientes depois do fim das sessões de quimioterapia, evita recaídas – problema frequente no decorrer desse tipo de tratamento.

 

Métodos de Imunoterapia

A comunidade pesquisadora acredita que a substância protetiva que foi desenvolvida poderá ser útil principalmente para os indivíduos de idade avançada, que têm grandes restrições ao transplante. Além disso, essa estratégia de impulsionar o sistema imune para combater doenças graves tem sido bastante explorada na área médica, o que reitera a eficiência da nova criação. “Métodos de imunoterapia alavancam os sistemas de defesa do corpo para combater as células cancerosas. Ao criar uma vacina personalizada, usamos o poder do sistema imunológico para, seletivamente, segmentar o câncer de cada paciente e evitar os efeitos colaterais da quimioterapia.” – explica, em comunicado, um dos autores e professor de Medicina da Universidade de Harvard, David Avigan.

 

Desenvolvimento da criação

O desenvolvimento da vacina foi através de células de defesa retiradas de um paciente com leucemia e células dendríticas as quais liberam células-T capazes de eliminar tumores.

“A criação dessa vacina personalizada se baseou na premissa de que o tratamento eficaz de cânceres estabelecidos exige a indução de imunidade com vários antígenos de substâncias que ativam a resposta imune do corpo, incluindo os neoantígenos, especificamente expressos pelas células de câncer do próprio paciente”, defende Donald Kufe,  autor e pesquisador do Instituto do Câncer de Dana Farbe, em Boston.

 

Testes

A fórmula foi testada em 17 pessoas que haviam realizado a quimioterapia e se recuperavam do tratamento – período em que as recaídas são bastante comuns. Os participantes mostraram tolerância à fórmula protetiva, que desencadeou a expansão de células-T específicas para o combate à leucemia por mais de seis meses. Nenhum deles mostrou recaídas depois de um ano da vacinação e 12 permaneceram sem leucemia após quatro anos e nove meses. “Com a vacina, usamos o sistema imunológico para direcioná-lo  ao tumor, incluindo células que podem ser resistentes à quimioterapia. Ficamos realmente excitados em ver que a vacina gerou uma resposta imune larga e durável, sem efeitos secundários significativos”, afirma a autora principal e professora da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard , Jacalyn Rosenblatt.

 

Visão brasileira

A equipe liderada por Rosenblatt realizará outros experimentos em pacientes atendidos em 15 centros de pesquisa de câncer. Segundo Vilela, médico hematologista do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês de Brasília, essa etapa que vai ampliar o número de participantes é importante para testar a vacina, uma solução que, segundo ele, parece ser promissora e acessível. “Trata-se de um trabalho que não está distante de nós. Essa vacina poderia ser acessível aqui no Brasil também. O trabalho não é tão complexo e mostrou muito pouco efeito colateral, apenas o equivalente às vacinas usadas normalmente” – argumenta.

 

Na primeira etapa a leucemia mieloide aguda é tratada com quimioterapia, porém quando o paciente não responde ao tratamento, a opção para erradicar a doença é o transplante de medula óssea, no qual é necessário um doador compatível. É um processo rápido, porém o paciente precisa passar antes por um tratamento para destruir a própria medula. Com a vacina, usamos o sistema imunológico para direcioná-lo diretamente ao tumor.

 

Fonte: SBPPC


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