Pesquisa científica no Brasil

Pesquisa científica no Brasil passa por estado de calamidade, de acordo com autoridades

POR EM Sem categoria em 19 de abril de 2018

O corte orçamentário realizado pelo Governo Federal nos recursos voltados para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações desde 2016, com a aprovação da PEC 55 – conhecida como PEC dos Gastos – e a redução de 44% na área anunciada no ano passado, vem tornando o cenário da pesquisa científica no país cada vez mais complicado. A redução impacta o trabalho de 300 mil pesquisadores, de acordo com a Sociedade Brasileira para o Progresso e a Ciência.

Com a PEC do Teto dos Gastos, em que diversas áreas tiveram o investimento congelado, a Ciência e a Tecnologia deixaram de figurar como despesas obrigatórias no planejamento orçamentário do governo. Se comparado com 2010, o investimento voltado para a pesquisa científica caiu quatro vezes, representando 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB). Para fins de comparação, China e Estados Unidos investem o equivalente a 2,5% do PIB e, na Europa, um acordo transnacional prevê um investimento de 3%, no mínimo, até 2020. Em países como a Coreia do Sul e Israel, o aporte passa dos 4%.

Pesquisas voltadas para a cura do Alzheimer e o mal de Parkinson, além do programa espacial brasileiro – que tem o objetivo de colocar em órbita pequenos satélites – e das pesquisas desenvolvidas no meio agrícola, estão entre as mais afetadas pelo corte de verbas.

Avanços realizados pelos pesquisadores brasileiros, como a descoberta da relação entre o vírus da zika e a microcefalia, em 2015, feita por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz, no Recife (PE), estarão seriamente comprometidos com o corte de verbas.

Em 2017, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) obteve um equipamento de alta tecnologia para a ressonância de macromoléculas, que auxiliará a pesquisa relacionada ao Alzheimer, Parkinson e câncer. Adquirido pelo valor de R$ 30 milhões, a manutenção do equipamento também corre risco com a diminuição progressiva dos recursos. Outro caso que merece atenção é o da Linha Sirius, um acelerador de partículas de terceira geração que vem sendo construído no Laboratório Nacional Luz Síncrotron, em Campinas (SP), cujo investimento é de R$ 1,3 bilhão.

Pesquisas realizadas no âmbito estadual também tm sofrido com o repasse atrasado de verbas. Em março, reportagem publicada pela BBC Brasil abordou as dificuldades enfrentadas por 7 mil bolsistas que recebem recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa em Minas Gerais, que têm desenvolvido suas pesquisas em casa a fim de evitar o gasto com deslocamento até a universidade.

As organizações de fomento e defesa da Ciência no Brasil alertam que os cortes desencadeiam um efeito dominó na produção científica do país. Sem receita para pagamento de bolsas a pesquisadores, estes tendem a procurar alternativas em outros países ou migrarem para empregos técnicos na iniciativa privada.

Países que passaram por crises como a China e a Coreia do Sul, que figuravam atrás do Brasil na área da pesquisa científica, de acordo com a Sociedade Brasileira para o Progresso e a Ciência, entenderam que a superação de um momento difícil de um país passa pelo investimento em pesquisa e educação. Esperamos o mesmo para o Brasil.

Fontes:

Crise e cortes de orçamento fazem ciência brasileira entrar em decadência

‘Faço doutorado e vivo de doação’: atraso em bolsas faz cientistas passarem necessidade em MG

O que acontecerá com o Brasil após grande corte de verbas para Ciência e Tecnologia?

UFRJ adquire equipamento para acelerar pesquisas sobre câncer, Alzheimer e Parkinson


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