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Composto pode interromper a produção de proteína ligada ao Alzheimer e a outras doenças neurodegenerativas

POR EM Congresso, Dr. Lair Huning, Lair Huning, Oftalmologia em 30 de janeiro de 2017

Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade Washington em St. Louis, no estado americano de Missouri, estão estudando formas de encontrar uma nova alternativa para o tratamento de taupatias – doenças neurodegenerativas caracterizadas pela agregação patológica da proteína tau, como o mal de Alzheimer. Quando em condições normais, essa proteína ajuda a manter a estabilidade dos axônios – longas estruturas tubulares que conectam uma das extremidades de um neurônio a outro.  Entretanto, em alguns casos, estas células cerebrais podem fabricar versões defeituosas dessa proteína, que ao acumular-se, juntam-se em emaranhados no seu interior e isso causa o seu dano – o que produz a morte dos neurônios. Essa atividade é considerada um dos primeiros sinais do desenvolvimento das doenças neurodegenerativas.

 

A partir desse contexto, cientistas americanos acreditam que se puderem controlar a produção dessa proteína, será possível minimizar os danos, ou até revertê-los. Dessa forma, uma nova abordagem foi utilizada, e por meio do emprego de moléculas conhecidas como oligonucleotídeos antissentido, foi possível reduzir a fabricação de tau e, consequentemente a formação dos emaranhados no interior dos neurônios. Esses testes foram primeiramente realizados em camundongos geneticamente modificados para produzirem versões defeituosas da proteína humana. E posteriormente, testes foram feitos a fim de amenizar os níveis de proteína no sistema nervoso de macacos

 

Timothy Miller, professor de neurologia na universidade americana e autor sênior de artigos sobre os experimentos, publicado no periódico científico “Science Translational Medicine”, na quinta feira (26/01), destaca que foi demonstrado que a molécula reduz os níveis da proteína tau, prevenindo e, em alguns casos, revertendo os danos neurológicos. Além disso, ressalta que esse composto é o primeiro que mostrou ser capaz de reverter danos com relação a tau no cérebro, e que também tem o potencial de ser utilizado como um tipo de terapia em pessoas.

 

O funcionamento dos oligonucleotídeos antissentido se dá na interferência da transmissão de informações para a produção de proteínas pelas células. No processo normal, as instruções para a construção das proteínas presentes no DNA, são transcritas em uma molécula mensageira, o RNA, que então segue para os ribossomas, as “fábricas” de proteínas das células, com a “receita” para a sua produção. O composto apresentado, no entanto, pode ser montado para se unirem a esse RNA e marcá-lo para a destruição, antes que chegue aos ribossomas, impossibilitando que as proteínas sejam construídas. Os oligonucleotídeos podem ser desenhados para se ligarem a produção de qualquer “receita” de proteína e por isso, podem ser utilizados para inferir a produção de qualquer uma delas. Como medida de segurança é possível observar também que a Administração para Alimentos e  Drogas dos EUA (FDA), recentemente, autorizou o uso destas móileculas para o tratamento de duas doenças neuromusculares: a distrofia muscular de Duchene e a atrofia muscular espinhal.  

 

Nas pesquisas realizadas na Universidade de Washington, os cientistas administraram uma dose de oligonucleotideos anti-tau nos camundongos modificados quando eles estavam com nove meses, época em que os emaranhados de proteína já iniciaram danos em seus neurônios.Já aos 12 meses, os pesquisadorem mediram as quantidades de RNA mensaeiro da tau, verificando que elas eram todos significativamente inferiores às verificadas nos camundongos de um grupo de controle, tratado com um placebo. Além disso, os níveis totais de tau, e a quantidade de emaranhados dos animais tratados não eram menores, o que mostra que o tratamento não apenas interferiu, como também reverteu o acúmulo de proteínas com danos.

 

Ainda em testes, Miller destaca positivamente que essa nova e promissora abordagem pode reduzir os níveis de tau, porém ainda é necessário testar se é segura para pessoas e se de fato diminui as concentrações nelas. Tudo o que foi feito até agora são apenas investigações que sugerem sim, um potencial tratamento para pessoas.

 

Fonte: SBPPC

 


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